
Sábado, Janeiro 29, 2005
O quinto mistério do terço aproximava-se, e o garoto continuava inquieto. Talvez não só ele, mas como metade de todos os que estavam por ali. Ele olhava em volta. Percebia a velha que comandava aquele encontro. Ela aparecia de um forma singular e muito martirizante para o garoto. Os olhos estavam semi-aberto, como se o sono ainda usurpasse a tentativa de qualquer ação daquela velha, a boca mal abria ( o que mais chateava o garoto ) - esse gesto fazia com que o menino roçasse seus dedos dos pés uns nos outros-, as palavras parecia intermináveis. Do seu outro lado, estava um outro garoto, aparentemente reblede: cigarro suspenso nos lábios, calças rasgadas e um tom bastante constrastente que eram o terço solto entre seus dedos. A fumaça do cigarro sufocavam o garotinho. Ele levantava o nariz e procurava um pouco de ar, nem que fosse um mínimo. O odor da fumaça entrelaçava-se e confundia-se com um ligeiro perfume de alfazema, embora leve e suave, já nã era suportáveis para aquelas narinas que apresentava-se envermelhadas. O fumente adormecera, e seu cigarro caira nas palhas espalhadas no caseber. O fogo, de início, era brando. Logo, espalhou-se. Embora o fogo aumentasse, os participantes da sessão não atentaram-se. O menino usava suas narinas suaves com um radar. O ar quente, espesso e denso logos invadiu aqueles pequenos buraquinhos. O terço já se aproximara da salve-rainha, e as pessoas corriam, de um lado e para outro, na tentativa de salvarem-se. A velha parecia estática e continuava a balbucear as palavras. O menino já desmaiara...... O fogo consumiu tudo que poderia ter consumido. Ao fim, só restaram os terços de matais, os ossos, algumas moedas e o lenço impregnado pelo perfume de alfazema.
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Cara_estranho às 5:15 PM :: Expresse suas idéias:
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Na noite antes da sua morte, o garoto passara a noite sentado diante de um papel e uma caneta. O quarto estava tomado pelo vapor exalado pela evaporação de uma pedra de cânfora. Sobre a mesinha estavam o abajur e um cinzeiro com algumas pontas de cigarro ainda acesas. O feixe de luz incidia no óculos do menino e refletia os papéis sobre a mesa. Nos papéis apresentavam algumas escrituras próprias do garoto: "Se em Coração valente pedia-se liberdade, em na Conjuração mineira diziam Liberdade ainda que tardia, os tremere com sua irrevogável disciplina procuravam manter a ordem a qualquer custo", "O verbo se fez carne e habitou entre os homens". O garoto não sabia porquê, mas ele sentia que, nestes últimos dias, ou melhor, nestes últimos tempos, seu coração palpitava mais forte e, cada vez mais, ele defendia com unhas e dentes seu fervor em Dues. Talvez por medo da morte, talvez pela vontade de possuir tantos poderes ou, pelo simples, prazer de manter o provérbio: mantenha seus inimigos ainda mais perto. É, talvez fosse inimigo, já que se influenciara por tantas pessoas que dizem e comprovam a não existência de um ser maior. Ele começa a acreditar que o homem é a maior figura presente na Terra e dotados de naturezas tão incríveis que ser supremo algum poderia criá-lo. Durante muito tempo, o garoto tentou manter sua fantasia de acreditar que tudo aquilo era verdade, ou melhor, ele ainda acredita. Nos seus papéis ficam presente que ele acredita que um HOMEM maior do que todos exista, o garoto só não vai mais tentar convencer ninguém disso.
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Cara_estranho às 4:30 AM :: Expresse suas idéias:
Domingo, Janeiro 02, 2005
O relógio marcava seis horas da manhã, e o garoto já colocara os pés no chão. Dirigiu-se ao banheiro. Lá percebeu o espelho quebrado, viu algumas seringas jogadas ao chão e um pouco de xampu escorrendo pelo ralo. Pôs-se a entrar na banheira. Encoberto dágua, estourava as pequenhas bolhinhas que surgiam de seu movimento com as pernas. Horas... passaram... se........ Pendurada na porta estava sua toalha, e, com gestos delicados, retirava a água de seu corpo. Suas pernas sangravam, tinha furado-se ontem, e o sangue ainda escorrera por causa da casca da ferida arrancada. Caminhou até a janela, abriu-a e esperou que o vento da manhã assanhasse seu cabelo. Sentou-se um pouco sobre o para-peito ( ele nem sabia o que era aquilo, só sabia que chamavam assim). Ele ficava imaginando como seria voar, se bem que algumas vezes, em seus sonhos, ficava imaginando. Levantou-se do para-peito, deu um passo (não caiu), deu outro, mais outro, tantos mais. Alimentou se das nuvens, atirou em alguns pássaros que pasavam por ali e reclamavam da vida. Segurava os aviões, arrotava trovões, brincava de ser Deus. Para ele aquilo não bastava, queria mais. Percebeu que se afastara demais de sua janela, o caminho parecia sem volta, havia uma pedra no caminho. Ele tropeçou, sentiu o corte no joelho. Do céu, ele desabou. No outro dia, os seus vizinhos encontraram o corpo lá em baixo. No céu, ele ficoudiante do Ser, pedia desculpas pela brincadeira de mau gosto. Ele sentiu o gosto da morte, pôs-se em seu estado de homem, mero mortal. Mesmo com tanta decepção, ele sentia-se perdoado, assumia-se com uma mero mortal e não poderia mais, de agora em diante, brincar com aqueles pequenos aviões.
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Cara_estranho às 7:01 PM :: Expresse suas idéias:
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